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Tatuadora concentrada a trabalhar no estúdio
Instagram e conteúdo

Como divulgar tatuagem no Instagram sem gastar em anúncios

O Instagram funciona para tatuadores quando deixa de ser um álbum e passa a ser uma vitrina com uma porta ao lado. A diferença está em cinco decisões.

Por Mike SoertszFundador, Portugal Tattoo5 min de leitura

Em resumo

Publicar mais não resolve nada se o perfil não diz o que fazes, onde estás e como se marca. Trata a bio como uma montra, publica trabalho cicatrizado e processo em vez de só resultados, responde depressa, e manda toda a gente para o mesmo sítio. Anúncios só fazem sentido depois disto.

Pontos a reter

  • A bio tem três trabalhos: dizer o que tatuas, dizer onde estás, e levar ao formulário.
  • Trabalho cicatrizado convence mais do que trabalho fresco. É também o mais raro.
  • O processo é o conteúdo mais fácil de fazer e o mais visto. Já estás a produzi-lo.
  • Um link só. Menus de opções fazem as pessoas parar.
  • Responder depressa vale mais do que publicar mais vezes.

Quase todos os tatuadores em Portugal estão no Instagram e quase todos o usam da mesma maneira: publicar a peça acabada, esperar.

Funciona até certo ponto. O ponto onde deixa de funcionar é quando reparas que tens seguidores e não tens agenda cheia — sinal de que o perfil está a fazer bem a parte de mostrar e mal a parte de converter.

Cinco decisões mudam isso, e nenhuma custa dinheiro.

1. A bio é uma montra, não uma apresentação#

Alguém aterra no teu perfil e decide em poucos segundos se vale a pena continuar. A bio tem três trabalhos e nenhum deles é ser criativo.

Dizer o que tatuas. “Linha fina e botânico” diz mais do que qualquer frase sobre paixão pela arte. Quem procura outra coisa segue caminho, e ainda bem.

Dizer onde estás. Lisboa, Porto, Braga, o que for. Sem cidade, quem procura um tatuador na cidade dele não tem como te encontrar, nem no Instagram nem em lado nenhum.

Levar a um sítio onde se marca. Um link. Não uma lista de nove opções — cada opção é uma decisão, e decisões fazem as pessoas parar.

Se o teu link atual leva a um menu, muda-o hoje para a página onde se marca. É a alteração mais barata deste artigo.

2. Publica trabalho cicatrizado#

Uma tatuagem fresca fotografa lindamente. Está com a pele vermelha, as linhas cheias, tudo brilhante. E não diz nada a quem está a decidir, porque toda a gente sabe que dali a três semanas está diferente.

Trabalho cicatrizado é o oposto: fotografa pior e convence muito mais. Mostra que as linhas aguentam, que o preenchimento assentou, que aquilo é para viver com.

É também o conteúdo mais difícil de obter, porque implica que o cliente volte a fotografar semanas depois. Daí valer a pena pedir sempre, todas as vezes, com uma mensagem simples às três semanas.

Quem publica cicatrizado destaca-se imediatamente, precisamente porque quase ninguém o faz.

3. Mostra o processo, não só o resultado#

O trabalho acabado é o conteúdo mais óbvio e o mais saturado. Toda a gente publica peças acabadas.

O que raramente se vê, e que as pessoas veem até ao fim:

  • O desenho a ser feito, do esboço ao stencil
  • O stencil aplicado, antes de a agulha tocar na pele
  • Um pormenor a ser trabalhado de perto
  • Como preparas a estação de trabalho
  • A explicar como funciona a marcação, o sinal, os cuidados

Este último ponto é subestimado. Um vídeo curto a explicar como se marca contigo responde às perguntas que recebes vinte vezes por mês e faz o trabalho de triagem sozinho.

E o mais prático: já estás a produzir tudo isto. Só falta gravar.

4. Uma frase por publicação a dizer o que fazer a seguir#

A legenda não precisa de ser um texto. Precisa de dizer, sem rodeios, o passo seguinte.

Linha fina, antebraço, sessão única. Marcações pelo link na bio.

Isto não é comercial a mais. É o mínimo. Quem gostou da peça e não sabe o que fazer a seguir não faz nada.

Sobre hashtags: são úteis com moderação e não são uma estratégia. Uma mão-cheia de etiquetas específicas do estilo e da cidade vale mais do que trinta genéricas. Ninguém marcou uma tatuagem por causa de uma hashtag popular.

5. Responder depressa vale mais do que publicar mais#

Esta é a parte aborrecida e é a que mais rende.

O algoritmo interessa menos do que parece. O que interessa é que a pessoa que te escreveu ontem à noite, entusiasmada, ainda esteja entusiasmada quando lhe responderes.

Duas coisas ajudam:

Uma resposta guardada. Uma mensagem curta, cordial, que peça referência, zona, tamanho e disponibilidade, e que aponte para o formulário. Usa-a sempre. Poupa-te quatro trocas de mensagens por pedido.

Verificar os pedidos filtrados. As mensagens de quem não te segue caem numa pasta separada, e mais abaixo ainda há outra. Os pedidos de desconhecidos — ou seja, clientes novos — são precisamente os que estão no sítio onde não olhas.

Onde o Instagram acaba#

Vale a pena dizer isto com clareza: o Instagram é bom a fazer-te descobrir e mau a gerir um negócio.

A conta não é tua. A audiência não é tua. As conversas não são pesquisáveis, não se ordenam, não se passam a ninguém. Se a conta for suspensa numa terça-feira, perdes tudo o que está lá dentro.

Por isso a divisão de trabalho é esta: o Instagram descobre, a tua página marca. A ponte entre as duas é o link na bio, e é a única coisa que precisas de proteger.

Um plano de duas semanas#

Dias 1 e 2. Reescreve a bio: estilo, cidade, um link para a página de marcação.

Dias 3 a 7. Grava processo. Cinco vídeos curtos, sem produção nenhuma: desenho, stencil, pormenor, preparação da estação, e um a explicar como se marca.

Dias 8 a 10. Escreve a resposta guardada e usa-a em todos os pedidos. Vai ao separador dos pedidos filtrados e responde a tudo o que lá está.

Dias 11 a 14. Manda mensagem a dez clientes de há mais de um mês a pedir uma fotografia cicatrizada. Publica as que chegarem.

No fim, o perfil diz o que fazes, mostra que aguenta, e tem uma porta. É isso que faz um perfil de Instagram render.

A página do outro lado do link é o que construímos, se não a quiseres fazer sozinho.

O passo seguinte é a página do outro lado do link: marketing digital para tatuadores explica o que ela precisa de ter.

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