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Máquina de tatuar segurada por uma mão com luva preta num estúdio
Conseguir clientes

Como divulgar um estúdio de tatuagem em Portugal

Um estúdio não se divulga da mesma maneira que um tatuador. Tem uma morada, uma equipa e um mapa, e é aí que está a vantagem que quase ninguém usa.

Por Mike SoertszFundador, Portugal Tattoo5 min de leitura

Em resumo

A maior parte da procura por estúdios é local e acontece fora do Instagram: alguém pesquisa um estilo mais uma cidade e escolhe entre os primeiros resultados. Um Perfil de Empresa do Google tratado, uma página por artista e um único caminho de marcação valem mais do que qualquer campanha.

Pontos a reter

  • A procura por estúdio é local e faz-se no mapa. O Instagram não cobre isso.
  • O Perfil de Empresa do Google é o ativo mais barato e o mais abandonado.
  • Cada artista precisa da sua página. As pessoas escolhem pessoas, não moradas.
  • Avaliações pedem-se, uma a uma, no fim da sessão.
  • Um estúdio com três formas de marcar não tem nenhuma.

Divulgar um estúdio não é divulgar um tatuador com mais gente. É outro problema, com um canal diferente e uma vantagem que a maior parte dos estúdios em Portugal deixa por usar.

A vantagem é esta: um estúdio tem morada. Um perfil individual não tem. E uma parte enorme de quem decide tatuar-se não vai ao Instagram — vai ao mapa.

Quem procura um estúdio não está no Instagram#

Há dois tipos de procura e são completamente diferentes.

Descoberta. Alguém que segue contas de tatuagem, vê trabalho, guarda, e um dia decide. Isto acontece no Instagram e é onde a maior parte dos estúdios já investe tempo.

Intenção. Alguém que já decidiu tatuar-se e está a escolher onde. Escreve “estúdio de tatuagem” mais a cidade, ou o estilo mais a cidade, olha para o mapa, abre dois ou três resultados e marca.

O segundo grupo é mais pequeno e vale muito mais, porque já decidiu. E é praticamente invisível para quem só trabalha o Instagram.

O Perfil de Empresa do Google#

Se fizeres uma coisa só, faz esta.

O perfil que aparece no mapa e ao lado dos resultados de pesquisa é gratuito, leva uma tarde a tratar, e a maior parte dos estúdios tem-no meio preenchido ou abandonado. Um perfil tratado ganha a um perfil abandonado todas as vezes.

O que tem de lá estar:

  • Nome, morada e telefone corretos, exatamente iguais aos que aparecem no site
  • Horário real, incluindo o encerramento de agosto se fechares
  • Categoria correta: estúdio de tatuagem, não “salão de beleza”
  • Fotografias do trabalho, não só do interior. E fotografias reais, não imagens de banco de imagens
  • Uma descrição que diga os estilos que a casa faz e as línguas que se falam
  • O link de marcação, a apontar para a página onde se marca, não para a homepage

Depois, mantém-no. Publica de vez em quando. Responde às avaliações, às boas e às más. Um perfil com atividade recente comporta-se melhor do que um perfil parado, e custa dez minutos por semana.

As avaliações pedem-se#

Nenhum estúdio junta avaliações por acaso. Junta porque alguém pede, sempre, uma a uma.

O momento certo é no fim da sessão, com o cliente ainda satisfeito e ainda no estúdio. Uma frase basta:

Se ficaste contente com o resultado, uma avaliação no Google ajuda-nos mesmo muito. Levo-te ao link, é um minuto.

Não peças por mensagem em massa. Não ofereças nada em troca — além de ser contra as regras da plataforma, nota-se. Pede em pessoa, no momento, e responde a todas as que chegarem.

Uma nota sobre avaliações negativas: responde com calma, em público, sem discutir factos. Quem lê está a avaliar como reages, não quem tinha razão.

Uma página por artista#

Aqui está o erro estrutural mais comum: o site do estúdio tem uma galeria coletiva e um formulário genérico.

As pessoas não escolhem moradas. Escolhem pessoas. Alguém que quer linha fina quer saber quem, na tua casa, faz linha fina, e quer ver o portefólio dessa pessoa, não uma mistura de cinco.

Cada artista precisa de:

  • Uma página própria com o nome
  • O trabalho dele, agrupado por estilo
  • Uma frase sobre o que faz e o que não faz
  • Um formulário que chegue a ele

Isto resolve dois problemas ao mesmo tempo. Quem procura um estilo encontra a pessoa certa, e os pedidos chegam já triados em vez de aterrarem todos numa caixa comum que alguém tem de distribuir à mão.

Tem também uma consequência menos óbvia: quando um artista sai, a página sai com ele e a casa continua a funcionar. Um estúdio construído à volta de uma galeria coletiva não tem isso.

Um caminho de marcação, não três#

Muitos estúdios oferecem telefone, mensagem no Instagram, e-mail e formulário. Parece atencioso. Na prática, significa que os pedidos entram por quatro sítios, ninguém sabe ao certo quem responde ao quê, e alguns não são respondidos de todo.

Escolhe um caminho. Um formulário, ligado ao artista certo, com as condições de sinal escritas ao lado. Os outros canais continuam a existir, mas encaminham todos para o mesmo sítio.

Um estúdio com três formas de marcar não tem nenhuma, porque nenhuma delas tem dono.

A parte legal, que também é marketing#

Os estabelecimentos onde se realizam atos de tatuagem e colocação de piercings estão sujeitos a um regime de licenciamento previsto no Decreto-Lei n.º 61/2015 e registados junto das autoridades de saúde.

Isto é uma obrigação, mas é também um argumento, e quase ninguém o usa. Um estúdio que diz publicamente que está licenciado, que explica o que faz em matéria de higiene, e que publica os cuidados posteriores por escrito, está a dizer a quem nunca se tatuou que é seguro entrar. Para um primeiro cliente, isso vale mais do que qualquer fotografia.

O mesmo se aplica ao tratamento de dados. Se recolhes nomes, contactos e informação de saúde num formulário, tens obrigações ao abrigo do RGPD. Ter uma política de privacidade escrita e visível é o mínimo, e também é um sinal de casa séria.

Turismo de tatuagem#

Uma parte significativa de quem se tatua em Lisboa, no Porto ou no Algarve não vive cá. Chega com datas fixas e pouco tempo.

Três coisas simples captam essa procura:

  • Dizer que se fala inglês, no perfil do Google e no site
  • Ter a página de marcação em inglês, nem que seja só essa página
  • Dizer com que antecedência se marca, para que quem está a planear a viagem saiba se ainda vai a tempo

Um formulário que pergunta as datas em que a pessoa está na cidade resolve metade da conversa antes de ela começar.

Por onde começar, esta semana#

  1. Trata o Perfil de Empresa do Google. Uma tarde. É o maior retorno da lista.
  2. Escolhe um caminho de marcação e encaminha tudo o resto para lá.
  3. Cria uma página por artista, mesmo que simples.
  4. Começa a pedir avaliações no fim de cada sessão, sem exceção.
  5. Escreve a informação de licenciamento e privacidade no site, em português e em inglês.

Nada disto é publicidade. É tornar a casa encontrável e fácil de marcar, que é o que a maior parte dos estúdios ainda não fez.

Se quiseres a casa toda montada de uma vez — páginas por artista, marcação e sinais — é o que construímos.

Se o que queres é a parte individual — portefólio, Instagram, pedidos — começa por marketing digital para tatuadores.

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